A grandeza do menor

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Ao vencer1º Festival Nacional das Rádios Públicas - Arpub, a sergipaníssima Patrícia Polayne é coroada não só como uma das mais belas vozes dessas bandas de cá do nordeste, mas consolida-se como um nome valiosíssimo para a cultura nacional. Ganhar em festivais não é novidade para ela, mas, agora, o título é ainda mais especial pelo momento em que a artista vive, principalmente pelo lançamento do seu trabalho mais autoral, 'Circo Singular'. Os artistas sergipanos sofrem com um mal terrível que a maioria dos brasileiros têm: valorizar apenas o que é de fora. Não que aqui só haja artistas injustiçados, até porque eu não seria tão bairrista a ponto de achar que Sergipe é o supra-sumo da cultura nordestina - pelo menos não dessa que se espalha nos axés e forrós da vida. Porém, quando ouvi o álbum de Polayne, senti vergonha alheia. É realmente uma pena que a maioria das pessoas desconheça alguém de tamanho valor. O CD traduz exatamente a maturidade que a cantora sempre almejou para lançar um trabalho. E acertou em cheio. Com certeza o festival é um acréscimo para que a sergipana seja enxergada como sempre deveria ser. Como ela escreveu em 'Arrastada': E descobriu que o novo que tanto procurava não estava na grandeza, mas no menor do Brasil. Precisa dizer mais o quê? Ouça!

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Final trágico

sábado, 30 de janeiro de 2010

Até agora, no caso do comerciante morto por uma falha no serviço do 190, a única punição caiu sobre o lado mais fraco: a atendente terceirizada. A Polícia Militar sergipana restringiu-se apenas a tal atitude para corrigir um erro gravíssimo, que custou a vida de alguém. Acho que nós todos ficamos surpresos ao saber que o atendimento prestado por esse serviço de emergência estava nas mãos de terceiros. Mais que isso: há um script a ser seguido para que as denúncias sejam atendidas e uma viatura policial seja encaminhada a fazer sua maior obrigação. Se ele não for seguido, a história não se completa. Ou tem um final trágico. Pelo menos isso é o óbvio frente a tal acontecimento. Ninguém, absolutamente ninguém, levantou as possíveis consequências que a funcionária terá. Alguém sabe o que é carregar o peso de uma morte nas costas? A demissão dela foi apenas uma sentença de culpa exclusiva. De nada vai adiantar ter câmeras e mais oficiais pelas ruas; não fará o menor sentido o investimento milionário em equipamentos - incluindo o tal helicóptero -  se o mais básico a ser feito pela polícia está longe de sua competência. A Segurança Pública do Estado vinha recebendo altos elogios. Merecidamente no combate às drogas e no serviço de inteligência. O erro que vitimou o comerciante foi bem primário, mas não pode ser relegado apenas a quem recebe ordens.

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Elementar, meu caro Guy

domingo, 24 de janeiro de 2010



Fiquei me perguntando, ontem, depois de assistir a Sherlock Holmes, se não era a Madonna que trazia uma maré de azar ao Guy Ritchie. Quem não se lembra de 'Swept Away', quando o casal foi duramente criticado e até taxado de ridículo? Pois é, eu desconhecia mais a fundo o trabalho do diretor inglês e acabei por chegar a essa conclusão. Lástima! O Guy não deixa nada a desejar. Sherlock Holmes, personagem principal do seu trabalho mais recente, é construído como um cara profundamente observador, cínico, excêntrico, autodestrutivo e, diante de sua obsessão por desvendar mistérios, também um cientista maluco. Logo nas primeiras cenas, percebe-se que Robert Downey Jr. foi perfeitamente escolhido para o papel. A soma das deduções quase instantâneas do detetive com o seu vigor físico - sim, ele também luta que é uma beleza -, ao saber exatamente os pontos fracos do seus adversários, gopleando-os certeiramente, conferem uma elegância e agressividade incríveis ao personagem. Talvez esse seja um dos grandes acertos de Ritchie e sua equipe. Por outro lado, as excessivas cenas de luta conferem ao longa um ar maior de 'filme de ação'.



O principal caso de Holmes deixa qualquer um deslumbrado com sua inteligência e perspicácia, mas também são de impressionar, na mesma medida, as motivações e métodos do malvado e demoníaco Lorde Blackwood. Há inúmeros mitos sobre uma possível relação amorosa entre o detetive e seu fiel parceiro, o dr. Watson (interpetrado também de forma brilhante por Jude Law). A dinâmica - ou camaradagem - entre os dois, inlcusive, é outro ponto forte do filme. Se você vai ao cinema sabendo desse possível relacionamento percebe, nas entrelinhas, que há um fundo de verdade. Principalmente na cena em que eles praticamente discutem a relação. O ciúme de Sherlock quanto à noiva do seu amigo é claro. E quando ela diz saber que o detetive gosta do médico tanto quanto ela, você tem o xeque-mate. O filme é excelente. Ponto. E se houver mesmo uma continuação, como andam dizendo, que Guy Ritchie supere nossas expectativas. Desde que, obviamente, Madonna continue longe.

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Mar de gente

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010



Estava outro dia lembrando que 2010, em Sergipe, só vai começar de verdade na segunda semana de fevereiro. Isto porque até lá, todas as atenções se voltam aos eventos programados para os dois primeiros meses do ano. Hoje começa a 18ª edição do Pré-Caju, consideradaa maior prévia carnavalesca do país. Até domingo, 24, Salvador e Aracaju se tornam praticamente a mesma coisa tal é o número de artistas baianos que aportam por aqui (ressalve-se que nos últimos anos, até o forró vem ganhando espaço onde reina outro estilo). A cada ano o número de foliões, vindos de todas as partes do país, crecse vertiginosamente - à mesma medida que o evento em si. Apesar de consolidar-se cada vez mais, hoje a festa é muito mais inclusiva. Os blocos, que outrora eram reduto dos mais abastados, hoje oferecem abadás para todos os tipos, gostos e bolsos. Até a 'Pipoca' evoluiu: de simples grupos com menor expressividade, passou a contar com nomes do porte de Margareth Menezes. Nesses quatro dias não tem jeito: o chefe vai ter que relevar os atrasos e nenhuma tragédia pode acontecer, sob pena de acabar passando por apenas mais uma.

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Uma 'lapada' de rock sergipano

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


Aqui em Sergipe o rock está bem longe de ser um estilo popular. Os artistas locais infelizmente penam por um reconhecimento que só costumamos dar a quem vem de fora. Até que ganhasse público no sudeste, a sergipana Alapada estava fadada à cena undergruound, a mesma onde permanecem outras bandas tão boas quanto e que ajudou a projetar a baiana Pitty. Hoje, além de estar presente em festivais de outras partes do país, a Alapada é presença marcada nas principais festas do Estado, que costumam reunir dezenas de milhares de pessoas. Ok, talvez você já tenha ouvido falar que eles conseguiram emplacar uma música na novela 'Alta Estação', da Record, e que também apareceram em um dos capítulos. Sabe também, sem dúvida, que eles tocaram no Altas Horas, do global Serginho Groisman e no Programa do Jô. Feitos inéditos para bandas sergipanas; conquistas hercúleas para qualquer artista sem apadrinhamento.


No sábado, em show no Verão Sergipe, foi possível conferir que a Alapada não deixa nada a desejar no quesito Rock'n'Roll. Mesmo sem muita presença de palco - pelo menos nesta apresentação em particular - , o vocalista Nana Escalabre conduz com maestria o show da banda. As músicas, suas letras e as pegadas de rap e reggae, são um mix de simplicidade, estilo e identidade. Se você, sergipano, ouvisse o mesmo som tocado por Herbert Vianna, Samuel Rosa, ou a própria Pitty tenho certeza que daria um crédito bem maior. Mas quem liga para isso quando se tem talento e garra? Isso, os caras da Alapada têm de sobra. Mais dia ou menos dia você terá que se render. Vai ser inevitável.

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Com Moral

domingo, 17 de janeiro de 2010



Prestes a completar 15 anos, o J. Quest definitivamente é uma banda tão clássica e histórica quanto qualquer outra do pop rock brasileiro. Seus dois últimos discos talvez não tenham recebido o tratamento que mereceram, mas Rogério Flausino é 'o cara'! Além de super estiloso, sua presença de palco demarca fielmente a posição que ele ocupa no cenário artístico brasileiro. Ontem, no Verão Sergipe, os mineiros já fizeram um dos melhores shows deste ano aqui no Estado. A apesentação foi gratuita e talvez este detalhe explique o número de pessoas que compareceram ao local. Mas, ainda assim, foi um espetáculo como pouco se vê num local onde predominam axés, arrochas, forrós elétricos e afins. Não que esses estilos sejam lá tão ruins. Eu particularmente não gosto. Mas apenas com iniciativas como o Verão Sergipe é possível que artistas como o J. Quest pisem por aqui e mandem ver.

Para quem teve a juventude marcada por sucessos como 'Só Hoje', 'Fácil', 'Amor Maior', 'Sempre Assim' e a atemporal 'Dias Melhores', é impossível falar o show sem uma visão mais apaixonada. As pausas - propositais ou não - foram as responsáveis por dar mais fôlego ao público e atiçou ainda mais o desejo do bis. Principalmente porque as atrações anteriores tocaram por apenas uma hora. A tensão maior era saber se os mineiros seguiriam esse modelo. Bobagem. Todos nós sabemos que é humanamente impossível ter um show do J. Quest com duração de 60 minutos. Se assim fosse não seria J. Quest. E quem consegue assistir a quase duas horas sem ficar louco por uma próxima vez?

Foto: Filipe Araújo/ Portal Infonet

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