29 Novembro 2009

Jogando na Madonna Sena



Quem era Jesus Luz antes de conhecer Madonna? Talvez tão anônimo quanto eu - aposto que ele não tinha nem blog... Hoje é inegável saber o quanto é bom estar no lugar certo, na hora certa. Bastou estrelar um editorial com a cantora e pronto: foi alçado à fama mundial, mesmo que carregando apenas o rótulo de namorado da Madonna. Independente das críticas referentes à sua atuação como DJ (dizem as más línguas ser bem meia-boca) ou a de ser meramente um toyboy, o fato é que ele está sabendo aproveitar muito bem o espaço que lhe dedicam para um futuro que, de tão clichê, não será nenhuma novidade: ser colocado pra escanteio depois que a tiazona enjoar das brincadeirinhas. Tanto que o modelo chega a cobrar até US$ 30 mil para tocar em uma festa, fora as campanhas de grandes grifes onde teve seu rosto já global estampado. Até que desdobramentos esperados se tornem realidade, Jesus Luz continuará um enigma para muita gente. E ser perfilado pelo New York Times, como a publicada neste domingo, 29, será apenas fichinha.

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28 Novembro 2009

Lágrimas de crocodilo



Duas personagens femininas emblemáticas na TV brasileira foram Tiazinha e a Feiticeira. Ambas viveram seus tempos de muita glória, fama, dinheiro e nudez. Aliás, o apelo sexual era tão mais forte que ambas se recusaram,  a priori, em mostrar o rosto: a primeira usava uma máscara ao redor dos olhos; a segunda, um lenço que parte do rosto abaixo dos olhos. Desde a semana passada circula a notícia de que Joana Prado, ex-Feiticeira, chorou ao rever imagens em vídeo de sua antiga performance, além das imbatíveis, em vendas, fotos para a Playboy. Ela não quer mais ter exposto o seu passado, já que hoje é uma senhora de respeito, casada e com filhos. (Suzana Alvez nem tenho sobre o quê escrever, afinal de contas, por onde anda?) O programa em que Joana Prado esteve é o João Inácio Show, de uma emissora de televisão cearense, que tem como virtudes, em pleno domingo à tarde, falar sobre tudo o que é absolutamente nada. Ou seja, é muito ruim!

Ok, eu acredito, sim, que as pessoas têm a capacidade de se arrepender dos seus atos. Mas se o erro foi exibido aos quatro cantos do país, adianta muito pouco. Se Joana Prado quisesse realmente ser esquecida enquanto Feiticeira, não deveria continuar a aparecer em programas de TV. Até porque foi esse meio que a alçou a fama e engordou muito sua conta bancária. Afinal de contas, essa já não seria uma grande e estimada consequência de tal trabalho? Hoje pode ser muito fácil, para ela, recusar o rótulo que tanto carregou. Ele marcou-a a tal ponto que, assim como ocorre com outros personagens, sua identidade ainda luta por independência e até que a Joana Prado seja alguém à parte da Feiticeira, muitas lágrimas vão rolar. Nada contra quem se promove de tal forma; em tempos de pseudocelebridades a torto e a direito, a coisa já está mais do que comum. A Bruna Surfistinha até vai virar filme! Mas, ora, cada um no seu quadrado: se o da Feiticeira é a TV, o da Joana não pode ser.

Foto: Abril

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27 Novembro 2009

Desconstrução do paraíso




Pintada por muito tempo como um verdadeiro paraíso terreno, Dubai sente nas costas o peso da sua megalomania e joga um pouquinho da carga por todo o resto do mundo. Desde ontem o mercado financeiro global foi posto em alerta pela possibilidade de a crise ruir com mais um tesouro a céu aberto. Sim, porque é essa a imagem que todos têm daquela região dos Emirados: de gente podre de rica, nadando em dinheiro à la Tio Patinhas e vendendo oportunidades para quem quiser aproveitar. Só que esse cenário de desconstrução vem se mostrando forte há algum tempo, o que até então estava ofuscado pela imagem já consolidada do lugar. Fracasso nas vendas de alguns empreendimentos, operários tratados como escravos e falidos indo à cadeia foram apenas alguns sinais do ruir e estão descritos num artigo do jornalista inglês Johann Hari, publicado originalmente no "The Independent" com uma versão em português na Piauí (o cadastro lá é grátis, fik dik!). É por isso que eu dou valor a filosofia de bar: 'Fiado? Só amanhã!'.

Foto: Revista Piauí

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25 Novembro 2009

A gente se vê por lá!



Confio no Verão Sergipe a salvação para a minha virada de ano. Depois de tomar nota do boato - espero realmente que seja só isto - de que aquele cantor feio chamado de Belo vai ser a principal atração do show de reveillon na Orla de Atalaia, tinha certeza de que entraria 2010 com o pé esquerdo. Nada contra quem gosta ou faz pagode. Mas uma festa tão tradicional, que trouxe por duas vezes consecutivas a Maria Rita está perdendo milhares de pontos na sua reputação. Anunciada hoje pela Secretaria de Cultura, a programação do Verão Sergipe, uma série de eventos culturais e esportivos que tem por propósito agitar os sergipanos e turistas nessa estação de puro ócio e jogação, mostra-se cada vez melhor. Em 2010 a festa será estendida a Laranjeiras, uma escolha que apesar de tardia foi excelente. Daniela Mercury, Skank, Jota Quest, Vanessa da Mata, Lenine, Carlinhos Brown, Jorge Aragão e vários artistas locais também nessa linha de qualidade serão os responsáveis por animar , gratuitamente, as férias durante os meses de janeiro e fevereiro. Isto fora o Pré-Caju - prévia carnavalesca - e o Projeto Verão - série de shows na praia organizados pela Prefeitura Municipal de Aracaju - que também preenchem todos os requisitos para dar um gás que dura pelo resto do ano.

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23 Novembro 2009

Consciência suja


Já temos até um feriado - em alguns lugares - denominado 'Dia da Consciência Negra', mas o fato é que, no Brasil, o racismo ainda demorará a ser banido da sociedade. Muitas medidas vêm sendo tomadas no sentido de acabar com injustiças históricas e colocar o conceito de raça - que também permanece em meio a nossa miscigenação - em um outro patamar. O esforço para que um novo cenário seja construído poderia ser bem menor se agentes como a imprensa, por exemplo, levantassem maiores discussões fazendo entender o porquê e para que as ações afirmativas servem. Mas ainda há uma longa trilha: reportagem da Agência Brasil aponta que a grande maioria dos veículos de comunicação assumem uma posição contrária quando abordam tal tema. No caso das cotas, então, a polêmica é inevitável, prevalecendo a idéia de que o sistema acaba por asseverar o racismo. Já me manifestei sobre isso em um post anterior e ainda continuo com opinião semelhante. Mas não adianta falarmos em democracia e liberdade de expressão se continuamos a calar as vozes que clamam por serem ouvidas.

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